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Sobre o autor deste artigo

Alemar Rena é professor dos curso de Comunicação Social | Jornalismo do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais. Participa do grupo de estudos e experimentações LDDL, do Unileste-MG. É editor da revista Fluxo e mestre em Teoria da Literatura pela FALE - UFMG onde desenvolveu pesquisa sobre conceitos de autor e de obra de arte digital produzida na/para a internet.

Contato do autor

Alemar Rena
email: fluxo@fluxos.com


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Quais são as posições e estratégias de ação das grandes empresas da infotelecomunicação de massa em relação a algo que é amplamente previsto: o futuro da comunicação através de aparatos tecnológicos deve passar a contar, de forma ainda pouco definida, com o suporte Internet e, naturalmente, com o sistema operacional de um computador. Isto é, há uma forte tendência de "cibernetização" mais ou menos radical de meios como a TV, o vídeo, o rádio, o livro e as artes e produções jornalísticas em geral. Não se sabe com quais intensidades essas mudanças ocorrerão, nem se esse novo meio integrado acarretará no fim de outros, mas elas a cada dia estão mais próximas e palpáveis.

Por download de dados digitais na rede (mais rápida) em países como a Suécia pode-se, em tempo real, comprar filmes, músicas, livros (e-books), ouvir rádios, assistir a desenhos animados, e um vasto etc. A tendência é que, com as tecnologias que a cada dia se sofisticam, seu PC se torne um grande centro de mídia. Segundo pesquisa da Online Publishers Association, hoje um jovem americano de idade entre 18 e 34 prefere navegar na Internet (46%), a assistir a TV (35%), ler um livro (7%), ligar o rádio (3%), ler um jornal (3%) ou folhear uma revista (menos de 1%).

O multi-facetado David Bowie soltou a bomba recentemente em entrevista à Folha de São Paulo: "... acho que a indústria está desmoronando. Acho que as gravadoras estão falindo. Honestamente, não acredito que elas sobrevivam muito mais que três ou quatro anos. A ênfase será para shows, mais que qualquer coisa, e a música em si e a distribuição de música vão sofrer uma mudança tão radical que não vamos mais pensar nelas do mesmo modo." E essa mudança sabemos o que é: as gravadoras, assim como outras empresas da mídia, vão ter que utilizar a rede digital para distribuir seus produtos, e que estejam preparados: a redistribuição destes arquivos digitais não pode ser impedida, ou seja, pelo menos uma parte expressiva desses arquivos serão livremente redistribuídos. Se alguém desenvolve uma tecnologia que entrava a cópia, aparece um grupo de hackers dedicados e a destravam. Que o diga DVD John (John Lech Johansen), programador norueguês que criou o código que anula a proteção anti-cópia do DVD.

As dificuldades técnicas de controle sobre arquivos digitais são muitas. A verdade é que essas colossais empresas da infotelecomunicação vêm tendo e vão ter, cada vez mais, que lidar com certos princípios regedores da WWW com os quais não estão habituados, a saber: a fraca demarcação de territórios, democracia no acesso e produção da informação, abundância de diversidades, descentralização, imprevisibilidade, reprodutibilidade etc.

Faço parte do grupo que acredita que investimentos em tecnologias que entravam a cópia (a DRM – digital rights management -, patrocinadas pela Warner e pela Microsoft, é um bom exemplo) não levarão a uma solução. Faz-se, sim, necessário uma urgente e profunda revisão legal e conceitual no que concerne à cópia e distribuição de material digital no mundo hoje, juntamente de um reajustamento de estratégias mercadológicas. Pois, como nos diz o teórico Arlindo Machado, "Meios avançadíssimos, que operam com informação virtual e se prestam à difusão ampla, se apóiam, muitas vezes, em valores institucionais arcaicos, tais como os de propriedade intelectual (direito autoral), propriedade privada da informação e sigilo dos dados armazenados...".

A cópia faz parte da vida digital e em rede; é uma ação quase que intrínseca aos meios contemporâneos. Benjamin já dizia: "fazer as coisas 'ficarem mais próximas' é uma preocupação tão apaixonada das massas modernas como sua tendência a superar o caráter único de todos os fatos através de sua reprodutibilidade. A cada dia fica mais irresistível a necessidade de possuir o objeto, de tão perto quanto possível (...), na sua cópia, na sua reprodução".

O curioso é que são empresas como a Microsoft que propiciam a cópia e a redistribuição de dados com as próprias tecnologias que desenvolvem. Recentemente, por exemplo, Bill Gates e sua equipe lançaram no mercado o Windows XP Media Center Edition 2004, que, entre outras façanhas, permite gravar programas da TV! A Sony produz artistas, exige respeito aos direitos e, sem constrangimentos, fabrica computadores pessoais equipados com software e hardware para se gravar CDs e DVDs.

A Web e sua descentralidade nos oferecem oportunidades únicas: que o conteúdo rico e pequeno conviva lado a lado com o conteúdo pobre e massivo da grande indústria de mídia; que a informação chegue de maneira rápida, barata e fácil a qualquer lugar a qualquer hora. Uma interferência nessa nova lógica cibernética de produção de informação e conteúdo é possível, porém complexa e trabalhosa; exige que nós telespectadores/interagentes/usuários permitamos.

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