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Dicas para boas pesquisas na Internet

Alemar S. A. Rena

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A Internet mudou a forma como novas e velhas gerações vêem a produção intelectual, mais pelo viés do fragmento do que do conteúdo individualizado e inteiro. Ainda, as formas tradicionais de seleção de conteúdos, apoiadas em instituições, corporações e autoridades amplamente reconhecidas em um assunto específico já não estão sozinhas.

Com a Web novas formas de avaliação e determinação daquilo que tem qualidade e daquilo que não tem emergiram. Hoje contamos muito, para darmos valor aos conteúdos virtuais, com:

> nossa autonomia de escolha;

> ferramentas de procura complexas e sofisticadas baseadas no comportamento coletivo dos usuários e em equações matemáticas de ponta, como o Google ou o Yahoo;

> o apoio de comunidades de pessoas comuns que discutem e pesquisam coletivamente sobre um determinado assunto. Essas comunidades podem ser compostas por amigos que se conhecem e se encontram no mundo geofísico (como uma escola, uma universidade, ou um fã-clube) e que usam a internet, através de e-mails, twitter, MSN, Orkut, Facebook, entre outras tecnologias, para trocar informações, ou pode ser uma comunidade de indivíduos presentes apenas virtualmente que sem ajudam no ciberespaço (o espaço da Internet).

Abaixo apresento algumas dicas de como utilizar com qualidade e consciência a Web nas suas pesquisas e vivência acadêmica. É importante notar que estas colocações não fecham este assunto; procurei fazer um resumo do resumo daquilo que importa ser pensado sobre o tema, principalmente tendo em vista aspectos bastante práticos da pesquisa acadêmica.


PARA BOAS PESQUISAS

1. Como usar os textos da Internet?

A pesquisa na Internet pode ser fantástica, e há de fato muito conteúdo interessante para ser descoberto; mas é preciso ser cuidadoso e esperto. Há nela textos de toda natureza, inclusive artigos científicos de alto valor. O professor deve conversar frequentemente com os alunos sobre confiabilidade dos conteúdos, ajudá-los a pensar em grupo estas novas e complexas tecnologias da comunicação, sem preconceitos, mas sem completo deslumbre, esquecendo-se de apontar que a Internet, assim como a vida cotidiana, está repleta de armadilhas e falsas proposições.

Vejamos um exemplo desta complexidade: textos da enciclopédia Wikipedia (pt.wikipedia.org) são, segundo pesquisa da revista científica Nature, bastante confiáveis em comparação a enciclopédias famosas e tradicionais como a Britânica ou a Encarta, embora o conteúdo da Wikipédia venha da colaboração livre e coletiva de todos os internautas e a Britânica venha do conhecimentos de profissionais que trabalham nestas editoras. Para entendermos porque a Wikipédia se equipara em termos de precisão de informações com as tradicionais, precisamos entender um pouco do conceito de INTELIGÊNCIA COLETIVA. Pense bem: a Wikipédia conta com a visão de especialistas, aficionados e não especialistas, todos trabalhando em conjunto. Mas é uma comunidade gigantesca de pessoas se interagindo, provavelmente milhões de pessoas trocando ideias, opiniões e debatendo as melhores informações para cada item. As enciclopédias tradicionais, embora tenham um orçamento grande para pagar os profissionais, tem infinitamente menos mentes pensando e trabalhando. Por fim, em termos de credibilidade elas se comparam, mas em termos de quantidade, variedade, democracia a Wikipédia não tem rivais. Ela é escrita em mais de 250 línguas, com mais de 7,5 milhões de artigos. Uma enciclopédia comum é escrita apenas nas poucas línguas que dão maior retorno financeiro e tem geralmente entre 25 mil a 100 mil artigos.

Mas uma enciclopédia é uma boa fonte de pesquisa, seja ela escrita por uma empresa ou coletivamente pelos usuários? Claro que não. Ela pode servir, no máximo, para elucidar questões menores como "quem foi Robert F. Kennedy" ou "Mao Tse Tung", mas sob uma ótica generalista, superficial. Se sua pesquisa for sobre estas importantes personalidades no campo político mundial ou sobre, digamos, as diferenças fundamentais entre regimes políticos comunistas e democráticos, a wikipédia não é a solução. Há, na própria Internet, artigos, teses, revistas científicas, sites de instituições, bancos de dados, livros em PDF, etc. mais aprofundados e, portanto, apropriados.

Sobre plágio e citação

Como na cultura do livro, é possível fazer citações diretas ou indiretas de conteúdos da Web; o aluno precisa saber o que são e como se fazem essas citações dentro dos parâmetros da metodologia científica.

O professor deve deixar claro que usar texto de outro autor como se fosse do próprio aluno é antiético e não desenvolve conhecimento; o professor não deve aceitar o texto nestas condições.

2. Dicas para se verificar a credibilidade de um conteúdo:


Verifique o endereço

Geralmente o nome entre o "www" e o ".com.br" ou o ".edu.br" revela a instituição responsável pelo conteúdo. Observe o endereço:

http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/viewPDFInterstitial/1186/829

Para saber que instituição é responsável por este conteúdo, preciso descobrir o que representa "revista ibict". Para tanto, preciso rodar outra busca. Descubro então que a sigla corresponde a "Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia" (http://www.ibict.br/) e o artigo foi publicado em uma revista do instituto chamada "Ciência da Informação".

Cruze dados com outros sites ou fontes de informação

Não confie em tudo que você lê, sem questionamento, análise, reflexão. No mundo contemporâneo temos muito mais autonomia para aprender, mas também muito mais responsabilidade sobre o processo. Na web, esta autonomia, liberdade e poder de descobrir é ainda maior, necessitando de mais cuidados. Não há mais aquele que sempre estava a selecionar tudo para você (o editor, o governo, o professor, o cânone, as galerias, os curadores), os juízes do que é bom ou ruim, necessário ou supérfluo.

Em compensação, você, sua percepção, seu conhecimento prévio, seu contato constante com vários amigos virtuais ou reais, seu acesso a opiniões diversas (a opinião pública na internet), a possibilidade de cruzamento de dados, o Google e seus critérios eletrônicos de seleção baseados no comportamento dos próprios usuários são algumas formas novas de se garantir a credibilidade. Estas novas formas podem e devem ser atreladas, acopladas às mais antigas, vistas acima.

Faça uma procura pelo nome do autor

A Web nos dá muitas liberdades, mas também nos dá ferramentas sofisticadas de checagem de informações. Suponhamos que você se deparou com um texto que parece interessante, mas, como não conhece muito sobre o assunto, não conseguiria avaliar sua qualidade. Embora na Internet há virtualmente um número infinito de autores publicando, isto é, quase todo mundo é autor, procure por um nome responsável e rode uma busca com este nome. Ele pode não ser um Einstein, mas geralmente há diversas referências sobre ele em outras páginas. Pode ser que você descubra que ele representa alguma corporação, e portanto sua visão sobre o assunto pode ser apenas uma defesa de seus interesses particulares, ou pode ser que se revele que este autor é de fato uma autoridade na área em questão e que provavelmente expressa uma opinião ou conteúdo que deve ser levado em conta.

Verifique a estrutura e qualidade do site

Observe a aparência, assim como você faz quando procura um restaurante ou hotel em uma cidade desconhecida. Veja se as informações são organizadas, atualizadas, se as imagens são boas, se há mecanismos de procura internos, se o site funciona bem, se há informações, etc.

3. Dicas para se achar melhor o que se procura

A informação que você procura pode estar, na Web, disposta das mais diversas formas nos mais diversos contextos. Por exemplo, ao perguntar algo ao mecanismo de busca que você utiliza (Google, Yahoo, Ask, etc.) ele poderá trazer para você links para conteúdos de fóruns, blogs individuais, uma entrada na wikipédia (pt.wikipedia.org) revistas comuns, revistas científicas, sites especializados em artigos científicos (geralmente vinculados a instituições de ensino superior), trechos de livros impressos, comentários de leitores de matérias diversas, e um vasto etc.

Assim, além de estar ciente desta multiplicidade que constitui a Internet, você pode direcionar melhor sua busca para que o Google traga a você conteúdos mais próximos dos contextos pelos quais você se interessa. Há, por exemplo, o Google Acadêmico (academico.google.com), que somente lhe retornará informações sobre o que você está pesquisando no contexto acadêmico (revistas científicas, bancos de textos de universidades, bibliotecas virtuais, etc.).

Se você for a livros.google.com.br, o Google somente retornará referências ao tema de seu interesse em livros impressos publicados. Como ele faz isso? A Google vem, há alguns anos, escaneando (fotografando com um aparelho especial) uma grande quantidade de livros inteiros em diversas línguas com o intuito de mostrar ao internauta não somente o que a Internet tem do assunto que procura, mas também o que os livros têm. Mas você não poderá ler todo o livro, apenas uma porcentagem, o suficiente para saber se o conteúdo é realmente o que você procurava e providenciar a compra em uma livraria. Há planos futuros para liberar todo o conteúdo de livros fora de catálogo nas editoras, mas isso depende do aval das mesmas. E por falar em livraria, uma das maiores do Brasil (quase o equivalente à Amazon.com nos EUA) é a Livraria Cultura: www.livrariacultura.com.br. Lá encontra-se inclusive muito conteúdo da área acadêmica.

O Google Blog (blog.google.com) somente busca nos blogs, sites individuais (ou de pequenos grupos, geralmente com contribuição de 1 a 5 pessoas) dos internautas. Observe que nem todos os blogs são inúteis para pesquisas, há muitos grandes pensadores, pesquisadores, jornalistas, artistas, empresários escrevendo coisas que podem oferecer dados importantes a uma reflexão. Avalie com cuidado se a informação que ele traz tem profundidade ou importância suficiente para servir de referência bibliográfica.


Há ainda algumas dicas de como preencher o campo de procura no Google (vale também para outros mecanismos de pesquisa):

A. Por padrão, quando digitamos uma frase ou uma citação (duas ou mais palavras) e pedimos ao Google os resultados, ele poderá trazer sites que contêm as duas palavras ou uma das duas apenas. Se você realmente procura pelas duas palavras juntas, na sequência, coloque sua busca entre aspas. O Google retornará apenas resultados em que as duas palavras aparecem juntas no texto.

B. Você também pode pedir ao Google pra deixar de fora o que você não quer. Supondo que sua busca inclui o cantor John Lennon, mas você não quer informações sobre os Beatles (banda da qual o cantor fez parte na década de 60) , basta acrescentar um sinal de menos antes de "beatles". Digite:

john lennon -beatles.

C. De forma análoga, acrescente um sinal de mais para garantir que os resultados necessariamente contenham "Beatles":

John Lennon+Beatles

A diferença em relação às aspas, como vimos em "1", é que com o sinal de mais as palavras estarão na página, mas não necessariamente juntas, em sequência.

D. Se você quiser que o google traga um termo ou um outro, não necessariamente juntos na página, digite "or" (termo inglês que significa "ou"). Vamos supor que eu esteja procurando por Juscelino Kubitschek, mas também tenha interesse em JK, termo igualmente usado para se referir a ele. Digito então:

Juscelino Kubitschek or JK



PARA PUBLICAR

Se você deseja publicar conteúdos na Internet há dois caminhos: se cadastrar em um serviço de blogs ou algo parecido, em que você terá um endereço pessoal, onde poderá publicar o que quiser. Ou você poderá procurar instituições que publicam conteúdos em formatos recorrentes, com uma proposta editorial específica. Ainda há uma terceira possibilidade: inserir seu conteúdo em um banco de dados coletivo, como a biblioteca virtual da universidade em que você estuda ou de sites como o You Tube (no caso de vídeos) ou o brasileiro Overmundo (para textos, músicas, etc.). O que não falta é espaço para publicações na Web.

> Para fazer um blog pessoal, tente www.wordpress.com.br e siga as instruções.

> Para publicar junto a alguma instituição, peça dicas de colegas ou pesquise na internet espaços que atendem aos seus interesses. O Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix possui uma revista científica aberta a todos de nossa comunidade. Ela se chama Tecer e os editores somos eu e a profa. Dalva Coelho. Contamos também com um conselho editorial, que nos ajuda a avaliar e fazer as correções necessárias nos conteúdos que nos são enviados para publicação. Para conhecer a revista vá a:

proacad.metodistademinas.edu.br/tecer